O que é importante?
E toda a história da Humanidade fica resumida numa simples pergunta.
Porque no final, aquilo que nos torna diferentes como seres humanos nunca foi a raça, a nacionalidade ou a educação. As pessoas diferem nos seus interesses e crenças.
Tal como uma árvore que cresce e se ramifica indefinidamente, também os Homens ao longo da história tomaram caminhos diferentes. Esse espectro e infinidade de ramificações são os interesses e paixões do Homem.
São estes mesmos interesses e paixões que respondem à elementar pergunta de "O que é importante" são os grandes atributos humanos. O que nos eleva um nível acima de todas as restantes formas de vida conhecidas é no fim, a simples capacidade de nos apaixonarmos.
O que é importante?
Da mesma maneira que um leão interrompe a sua melancólica e lassa rotina quando é chamado a interesse de resolver questões territoriais. Também os Homens se erguem nas quatro patas para defender os seus interesses e paixões, mas disputam algo muito mais espectacular que território.
Os grandes Homens vivem em constante luta contra si mesmos, porque as paixões do Homem são maiores que a própria Humanidade. Com regularidade ocasional a sociedade é brindada com o aparecimento de um verdadeiro Apaixonado. As nossas raízes biológicas prendem-nos à nossa família e desde cedo nos oferecem algo para amar. As nossas raízes sociais, amarram-nos aos companheiros de experiências e mais uma vez apaixonamo-nos pelos nossos maiores amigos e pelos mais sentidos rivais. Essas são as Paixões básicas do Homem. Um verdadeiro Apaixonado, desprende-se dessas raízes preciosas e convencionais para dedicar esse sentimento tão intenso e real que sentimos pela nossa família e amigos a um interesse, a uma área, a uma nova paixão.
Mas o que é importante?
Verdadeiros Apaixonados, reclamam o seu lugar no infinito temporal, pois as terras podem ter vários nomes, podem ter vários proprietários ao longo do tempo, mas um momento é único, tem apenas uma identidade, e da mesma maneira que que surge subitamente, é para sempre guardado, sem mínimo de modificação, na História.
Os Verdadeiros Apaixonados, cravaram o seu nome no infinito muro do tempo, pois influenciaram rumo da Humanidade com a sua obra. Porque o Sol, na sua imensidade ridícula não pode escolher os planetas que o rodeiam um dia que acorde mais aborrecido. Porque uma Zebra Africana, não pode num dia mais nostálgico voar até Trás-os-Montes para visitar um parente hípico de alguma quinta.
Porque com paixão, os seres Humanos moldam o mundo à sua maneira. Os Verdadeiros Apaixonados e seus nomes e feitos cartografam todo o nosso conhecimento histórico, pelo bem e pelo mal.
Mais perto do que é importante...
Sim, associado à sua capacidade de construir, o ser humano traz às costas o grande peso da responsabilidade de avaliar as suas paixões e os seus interesses. E é aí que, depois de muito evitada, se impõe a pergunta de "O que é importante?". Grandes guerras e catástrofes nasceram de grandes paixões. Sacrifícios foram feitos em prol da ciência, da religião, da política, de paixões. E é aqui que todo o esplendor da criação, da paixão, do poder do Homem é derramado pelo instinto mais básico de sobrevivência ou pelo vislumbre mais negro de um remorso esquecido.
Acima dos Verdadeiros Apaixonados, há aqueles cuja compreensão transparece a presença de Deus. Essa compreensão é o aceitar dos outros como nós mesmos. Apesar de nunca podermos provar a existência de um espaço psicológico semelhante ao nosso, uma alma nos outros, fomos educados a acreditar que esse espaço existe. Nós sabemos, mas compreendemos? Como podemos compreender o pensamento de outro ser quando desde nascença fomos só nós e o nosso pensamento, sozinhos, a viver na primeira pessoa?
Os verdadeiros arquitectos da história não são aqueles que apenas fizeram grandes feitos. O maior dos homens é aquele que compreende os outros como a ele mesmo e desta maneira a sua obra é dirigida para os outros da mesma maneira que a dirigiria a si.
A maior e mais nobre paixão dos Homens é a própria Humanidade. O que é importante é a empatia.
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