sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A história do Rim - Parte 2

(Sra. Rita Ambrósio desce e lê a parte 1 primeiro, cumps.)

-Tens a certeza?
-Sim, eu vi-o... ah... ele era lindo... si visses a cara dele...

Algumas horas depois do incidente próximo da caravela num pequeno lago de agua quente, os seres mais belos do universo tratam de si, mas há uma em especial que está mais feliz, mais bonita...

As sereias não devem ver humanos, não se sabe porquê, mas sempre foi assim ao longo dos anos.

Annie, era uma sereia jovem, com uns lindos cabelos castanhos, os mais bonitos do oceano, como todas as outras sereias, ela sonhava... e foi naquela noite, em que viu o que não devia ter visto, que também a sua vida mudou, ela apaixonou-se e então todos os dias se foi aproximando cada vez mais da costa, da praia.

Um mês passou e Paul está de volta à sua terra natal, no final, a viagem não deu resultados, não encontraram nada, mas Paul, encontrou o maior tesouro que algum sonhador pode encontrar.

Os dias passavam, e todos os dias Paul passeava pela praia na esperança de voltar a ver tão bela visão.

Então um dia Annie aumentou um pouco os seus horizontes, finalmente alcançou a praia, a terra. Era um sonho realizado.

Em terra um pensador, um sonhador, um navegador, Paul. Passeava, olhou de relance, ele entendeu, ele percebeu ele sabia que Annie estava lá, ele viu-a.
E então, todos os dias eles se vinham ver à praia, não falavam, apenas se contemplavam e cada dia a sua relação era mais forte, e ambos chegaram à mesma conclusão: Amavam-se.

Mas era inútil, ele era humano, e ela uma sereia, nunca um humano e uma sereia poderiam passear no parque, partilhar a mesma cama, ou mesmo sentar-se à mesma mesa, nunca um humano e uma sereia poderiam se amar...
Mas nunca é muito tempo, e de facto, eles amam-se, apesar de ser impossível.

Era um fim de tarde de outono, o sol ameaçava desaparecer no horizonte azul deixando por trás um bonito céu vermelho. E como todos os dias Paul e Annie iam à praia, e, um em terra e outro no mar, ficavam-se a contemplar... mas hoje era diferente, Paul deu o primeiro passo.

-O meu nome é Paul, gostaria de saber o teu...

Um pouco envergonhada, Annie responde - O meu nome é Annie, durante todos estes meses, temo-nos amado, em silêncio, mas tu agora quebraste-o, porquê?

-Receio que amanhã não esteja aqui, e assim será daqui em diante, vou partir em viagem pelos 7 mares, vou descobrir tesouros, terras verdes e novas criaturas, queria um Nome, um Nome para quem pudesse escrever, um nome pelo qual pudesse chamar nos momentos mais complicados, um nome para tatuar no meu coração, e associar À tua recordação.

-Mas tu voltarás, um dia, certo?

-Nada neste Mundo é mais incerto que o meu regresso.

-Fica comigo.

-Como? Não posso ficar com um sonho uma miragem, algo que é suposto não existir, mas que no entanto existe e brinca com os meus sentimentos e pensamentos.

-Porque negas a minha existência?

-Porque és diferente de mim, também tu deverias negar a minha existência.

-Foste a melhor coisa que Deus me deu. Porque-te haveria de negar?

-Já disse, somos diferentes, não nos podemos amar!

-Mas nós somos iguais! Nós ambos nos amamos, diz-me, diz-me algo que tu tenhas que eu não tenha?! Diz-me se fores capaz!

-Tu não tens algo tão simples como um rim!

-Eu tenho um rim, eu sou igual a ti.

-Prova-mo.

A jovem sereia não respondeu.

Paul baixou a cabeça.

-Partimos amanhã, adeus Annie, foste a melhor coisa que me aconteceu.

E dito isto Paul saiu da praia deixando apenas as suas pegadas para trás.
O rosto de Annie molhou-se subitamente, mas não era a àgua do mar, Annie chorava como nunca havia chorado antes, oh mundo cruel, mas porquê, porque é que havias dada algo tão precioso se sabias que ias tira-lo...

A sereia ergueu-se e gritou para Paul que já ia longe:
-Eu amo-te! E o meu amor por ti é mais forte que qualquer Lei, que qualquer Monstro, que qualquer diferença, o meu amor por ti é tão forte que pode mover o próprio mar e até montanhas... mas o meu amor está incompleto, e para isso preciso de saber...
O Quanto me amas...

Paul cerrou os punhos, fechou os olhos com toda a força para as lágrimas não lhe escaparem pelos olhos...

-Eu...-Paul deixou-se cair de joelhos no chão e as lágrimas que tanto sustera estavam agora a escorrer-lhe pela cara abaixo acabando por desaparecer na areia da praia- O MEU AMOR POR TI É MAIS FORTE QUE QUALQUER DEUS, É MAIS FORTE QUE A PRÓPRIA TERRA, AMO-TE MAIS DO QUE O NÚMERO DE ESTRELAS NO CÉU, DO QUE O NÚMERO DE GOTAS NO MAR, O MEU AMOR POR TI É MAIOR QUE O CÉU E MAIS PROFUNDO QUE O MAR! Não existe algum número ou palavra inventada para descrever o que eu sinto por ti, mas tão certo como o dia e a noite, eu sei, desde a primeira vez que te vi: Eu Amo-te.

Nesse momento a cauda de Annie caiu na areia da praia, no seu lugar estavam agora suas pernas novinhas em folha. Os últimos raios de sol vermelho desaparecera e a escuridão apoderou-se da situação. À Luz do luar Paul correu para Annie, abraçou-a beijou-a, estava tão linda como a primeira vez que a vira, era um sonho, o inalcançável, o impossível, todas estas palavras são fictícias, não existe impossível, ou sonhos, se existem no nosso coração, então nós podemos alcançar o inalcançável, podemos conseguir o impossível e realizar os nossos sonhos.

Ninguém sabe ao certo o que aconteceu naquele final de tarde, naquele dia de outono, naquela praia há muito tempo atrás, nem o próprio mar, o ser mais sábio que existe sabe o que se passou.

Mas ninguém também é uma palavra fictícia, pois existe sempre alguém... Naquele fim de tarde uma cauda de sereia foi deixada na praia, da cauda de sereia caíram duas espécies de feijões muito peculiares, sim, era a prova, a jovem sereia tinha rins apesar de ser impossível, apenas eles sabem a verdadeira história, mas agora o tempo transformou-os em pedra...

Hoje, uma jovem rapariga apanhou uma pedra peculiar, com a forma de um feijão.

-Conta-me o teu segredo -sussurrou a rapariga à Pedra.

"O Amor é algo mais forte que qualquer Monstro, Lei, Deus e até a própria Terra, Ele é tão forte que pode até mover Montanhas e mesmo o Oceano. Quando se tem força de vontade, como é o amor, tudo é possível, e nós somos os seres mais poderosos de todo o universo quando amamos. Eu, eu sou a prova que o Amor é capaz de tudo, como foi capaz de uma Sereia ter um simples rim, ou mesmo transformar-se em Humana. Eu sou imortal, assim como o amor, espero que imortal não seja uma palavra fictícia.
Este é o meu segredo, guarda-o bem, mantém-o longe do Oceano e do Tempo, guarda o segredo para ti e não te esqueças dele, Annie."

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A história do Rim - Parte 1

Bem, antes do mais, este texto vai ser uma nova experiência, diferente do que tenho feito até aqui, não é uma reflexão nem algo muito desenvolvido nem dramático.
É algo que vou fazer para uma amiga, penso que isso chegue para que seja tanto ou mais importante que os outros textos do blogue, de qualquer maneira prefiro-o escrever aqui do que no Word.
Sem mais a dizer, dou início ao conto.


Como é escuro o mar à noite, é negro, que cor feia, porém o mar à noite é tal e qual ao mar de dia, ele vem e vai... De longe trás histórias de aventuras, recordações felizes ou catastróficas, o mar é muito sábio, ele sabe a história do mundo, ele é mais velho do que qualquer pessoa, e mesmo que as montanhas, ele sabe de tudo, porém ele mantém todas as suas lendas e histórias em segredo e limita-se a vir e ir, vir e ir, vir e ir... com o mar viaja uma pedra muito peculiar, como todas as pedras do mar, ela guarda um segredo, uma história, mas neste momento é como todas as outras pedras, não passa disso uma pedra que viaja pelos mares.

Hoje, como todos os outros dias, amanheceu, o céu está azul claro, e o tempo bastante agradável, tal como todos os dias uma nova onda trouxe bastantes novas rochas de todas as cores e feitios, trouxe-as para a praia, um sítio onde as pedras podem descansar das suas longas jornadas pelo infinito mar azul. Porém hoje é diferente de todos os outros dias... há felicidade no ar, há um cheiro característico, enquanto as crianças apanham pedrinhas e fazem castelos de areia, os mais velhos passeiam à beira mar, vendo ao longe os bonitos barcos à vela.

Uma jovem rapariga agacha-se, e reparando numa pedra peculiar, resolveu apanha-la e guarda-la, a pedra como que sorriu foi naquele lugar, foi naquele exacto lugar que há muitos anos atrás, quando os monstros dominavam os mares, o amor reinava em terra e os humanos viviam em harmonia com a natureza...

Naquele tempo, nesse lugar longínquo os navegadores cruzavam os mares em busca de tesouros que a mãe natureza lhes reservava, e o mar, que era ligeiramente mais novo, brincava com os humanos, dificultando-lhes o caminho, no fundo, ambos sabem que apenas tornava a sua jornada mais fantástica e divertida.

Paul era um navegador, como muitos outros sonhava com aventuras incríveis tornadas realidade, mas naquele dia ele viveu algo muito maior que algum sonho seu.

-Paul, acorda!
O jovem rapaz caiu da cadeira quando os berros do capitão da caravela lhe chegaram aos ouvidos.

-Que se passa sr? Terra à vista? Monstros? Tempestades? - Disse Paul levantando-se ainda meio desorientado.

-Calma! Necessito que fique de vigia esta noite, correm rumores que os assaltos piratas estão cada vez a expandir-se mais para sul, nunca se sabe se podemos estar sob risco.

-Mas capitão, porquê eu?

-Sem mais perguntas, favor dirigir-se ao convés do Navio, quando o sol nascer, tem a minha permissão para descansar.

-Entendido Sr.

Ensonado e um pouco contrariado, Paul dirigiu-se para o convés do navio, mal ele sabia que essa noite ia mudar a sua vida... O céu estava estrelado, a grande lua iluminava o mar negro até ao horizonte, e a estrela do Norte indicava-lhes o caminho.
O vento soprava levemente, estava o clima perfeito... estava calmo... calmo de mais... os olhos ficavam cada vez mais pesados...
Paul adormeceu num profundo sono, naquela calma noite de verão...

Foi então que subitamente algo o acorda, o sol ainda não havia nascido, o vento havia desaparecido completamente e o barco estava parado no mesmo sítio, sem a mínima ondulação, Paul pôs-se alerta e um arrepio de medo percorreu o seu corpo dos pés aos cabelos quando ouve alguma coisa. O mesmo som que o tinha acordado, se fosse um monstro, não havia escapatória, o barco estava parado, não havia vento nem ondulação, apenas a lua e as estrelas para testemunharem a morte certa.

Não, Paul tirou esses pensamentos sinistros da sua cabeça, ganhou coragem e dirigiu-se para o sítio de onde vinha o som.

Estava lá, naquele momento Paul viu o que jamais algum humano deveria ver, o ser mais belo deste mundo, o sonho de qualquer navegador, uma lenda. Sim uma lenda, foi o que Paul viu: Uma sereia.