Imagina que amanhã acordas desconfortável num leito duro. Faz muito calor, mas nem as grandes janelas abertas da divisão vazia em que te encontras, nem a sombra que o tecto faz cair sobre ti te refrescam. Não há torneiras nesse sítio. Não tens acesso a água nessa divisão, mas tens sede. Não há frigorífico, nem microondas, nem dispensa. Não tens acesso a comida nessa divisão, mas tens fome. Não há pessoas, nem computadores nem telemóveis nessa divisão, mas tens necessidade de contacto. Não há relógio nem mobília nem papéis nessa divisão, mas tens necessidade de te organizar. Não tens qualquer tipo de tecido a acariciar-te o corpo, mas tens pudor. Porém, acima de tudo, tens curiosidade e, felizmente, há janelas, uma porta e exterior.
A informação preencheu as poucas horas que se seguiram.
O teu nome permanece teu. Porém, este faz-se acompanhar apenas pelo corpo. Passaram-se cinquenta anos e o Mundo permanece igual. Tu, por outro lado mudaste. Perdeste. Perdeste a tua oportunidade. Falhaste na realização dos teus sonhos.
Falhaste na concretização dos teus projectos.
Falhaste até na conclusão dos teus planos mais irrisórios.
Perdeste as tuas maiores conquistas, perdeste as mais pequenas.
Perdeste os teus bens mais e menos preciosos.
De alguma maneira, perdeste o contacto de todos os teus conhecidos.
Perdeste as pessoas mais importantes.
Perdeste amigos e família.
Perdeste a capacidade de te sustentar.
Perdeste o respeito dos outros.
Perdeste os teus valores.
Perdeste o respeito pelos outros.
Perdeste os teus maiores talentos.
Perdeste os talentos mais pequenos.
Perdeste as tuas capacidades mais inatas.
Perdeste a capacidade de fazer pequenos truques peculiares que fazias com o corpo.
Perdeste a credibilidade.
Perdeste a tua educação.
Perdeste a tua saúde.
Perdeste os teus maiores valores.
Perdeste até os valores mais pequenos.
O Mundo permanece intacto.
Tens uma mesa e três cadeiras. Sentas-te.
Imagina que amanhã acordas no leito confortável de alguém. Uma brisa fresca de origem quase celestial refresca-te o acordar num dia de calor ameno de Verão. Um ecrã incorporado no tecto que paira sobre ti informa-te de uma data que te dista cinquenta anos.
És seguidamente direccionado pelo estímulo olfactivo da confecção ex libris do teu apetite matinal, a uma mesa com várias cadeiras e o rosto intacto do teu familiar mais afectivo que te sacia abundantemente toda a tua curiosidade eminente.
O Mundo evoluiu bastante. Tu, por outro lado, mantens-te razoavelmente identificável.
Realizaste os teus maiores sonhos.
Concretizas-te todos os teus projectos.
Tiveste até oportunidade de exercer profissões distintas.
Foste significativo para o Mundo.
Alcançaste até os teus desejos mais supérfulos.
Conseguiste manter-te rodeado de todos os que te eram importantes.
Conseguiste dar-lhes boas vidas.
Conseguiste mantê-los vivos e saudáveis.
O teu tempo é agora preenchido exclusivamente pelos teus hobbies mais prazerosos.
És uma pessoa respeitável.
Enriqueceste os teus valores. És coerente e sensato.
Conseguiste suprimir os teus defeitos mais repugnantes.
Cultivaste os teus talentos e tornaste-te mestre nas tuas artes.
Descobriste em ti novos talentos.
Experimentaste as melhores sensações.
As tuas características mais discretas são identificativas no teu círculo social.
As tuas características mais gerais são referenciadas mundialmente.
Já nenhuma situação se pode opor-se de maneira real à tua vida, apanhar-te desprevinido.
Já nenhum perigo podes correr que não seja também seguro.
Alcançaste os valores mais práticos e correctos.
Alcançaste o corpo mais saudável, e eficiente.
O Mundo cresceu contigo.
Viajas. Encontras um velho sentado a uma mesa com duas cadeiras vagas. Sentas-te.
Imagina o momento que antecede o acordar. Imediatamente quando o primeiro tom do despertador toca no tímpano.
Não acordes.
Tens uma mesa com dois velhos sentados. Um deles esquelético nu, moribundo. Outro deles bem cuidado de vestimenta confortável e estética. Discutem calmamente sobre um tesouro. Há uma cadeira vaga entre eles. Sentas-te.
Reconhece-los.
Pedes conselhos, mas não há tempo, a segunda nota do despertador já atingiu bruscamente o tímpano.
Em uníssono, ambos te dizem o mesmo.
Acordas.
A vigilante Realidade preparou-te comodamente o acordar de modo a não sofreres surpresas.
Não há maior tesouro do que ter a vida pela frente.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
domingo, 16 de novembro de 2014
O que é importante?
O que é importante?
E toda a história da Humanidade fica resumida numa simples pergunta.
Porque no final, aquilo que nos torna diferentes como seres humanos nunca foi a raça, a nacionalidade ou a educação. As pessoas diferem nos seus interesses e crenças.
Tal como uma árvore que cresce e se ramifica indefinidamente, também os Homens ao longo da história tomaram caminhos diferentes. Esse espectro e infinidade de ramificações são os interesses e paixões do Homem.
São estes mesmos interesses e paixões que respondem à elementar pergunta de "O que é importante" são os grandes atributos humanos. O que nos eleva um nível acima de todas as restantes formas de vida conhecidas é no fim, a simples capacidade de nos apaixonarmos.
O que é importante?
Da mesma maneira que um leão interrompe a sua melancólica e lassa rotina quando é chamado a interesse de resolver questões territoriais. Também os Homens se erguem nas quatro patas para defender os seus interesses e paixões, mas disputam algo muito mais espectacular que território.
Os grandes Homens vivem em constante luta contra si mesmos, porque as paixões do Homem são maiores que a própria Humanidade. Com regularidade ocasional a sociedade é brindada com o aparecimento de um verdadeiro Apaixonado. As nossas raízes biológicas prendem-nos à nossa família e desde cedo nos oferecem algo para amar. As nossas raízes sociais, amarram-nos aos companheiros de experiências e mais uma vez apaixonamo-nos pelos nossos maiores amigos e pelos mais sentidos rivais. Essas são as Paixões básicas do Homem. Um verdadeiro Apaixonado, desprende-se dessas raízes preciosas e convencionais para dedicar esse sentimento tão intenso e real que sentimos pela nossa família e amigos a um interesse, a uma área, a uma nova paixão.
Mas o que é importante?
Verdadeiros Apaixonados, reclamam o seu lugar no infinito temporal, pois as terras podem ter vários nomes, podem ter vários proprietários ao longo do tempo, mas um momento é único, tem apenas uma identidade, e da mesma maneira que que surge subitamente, é para sempre guardado, sem mínimo de modificação, na História.
Os Verdadeiros Apaixonados, cravaram o seu nome no infinito muro do tempo, pois influenciaram rumo da Humanidade com a sua obra. Porque o Sol, na sua imensidade ridícula não pode escolher os planetas que o rodeiam um dia que acorde mais aborrecido. Porque uma Zebra Africana, não pode num dia mais nostálgico voar até Trás-os-Montes para visitar um parente hípico de alguma quinta.
Porque com paixão, os seres Humanos moldam o mundo à sua maneira. Os Verdadeiros Apaixonados e seus nomes e feitos cartografam todo o nosso conhecimento histórico, pelo bem e pelo mal.
Mais perto do que é importante...
Sim, associado à sua capacidade de construir, o ser humano traz às costas o grande peso da responsabilidade de avaliar as suas paixões e os seus interesses. E é aí que, depois de muito evitada, se impõe a pergunta de "O que é importante?". Grandes guerras e catástrofes nasceram de grandes paixões. Sacrifícios foram feitos em prol da ciência, da religião, da política, de paixões. E é aqui que todo o esplendor da criação, da paixão, do poder do Homem é derramado pelo instinto mais básico de sobrevivência ou pelo vislumbre mais negro de um remorso esquecido.
Acima dos Verdadeiros Apaixonados, há aqueles cuja compreensão transparece a presença de Deus. Essa compreensão é o aceitar dos outros como nós mesmos. Apesar de nunca podermos provar a existência de um espaço psicológico semelhante ao nosso, uma alma nos outros, fomos educados a acreditar que esse espaço existe. Nós sabemos, mas compreendemos? Como podemos compreender o pensamento de outro ser quando desde nascença fomos só nós e o nosso pensamento, sozinhos, a viver na primeira pessoa?
Os verdadeiros arquitectos da história não são aqueles que apenas fizeram grandes feitos. O maior dos homens é aquele que compreende os outros como a ele mesmo e desta maneira a sua obra é dirigida para os outros da mesma maneira que a dirigiria a si.
A maior e mais nobre paixão dos Homens é a própria Humanidade. O que é importante é a empatia.
E toda a história da Humanidade fica resumida numa simples pergunta.
Porque no final, aquilo que nos torna diferentes como seres humanos nunca foi a raça, a nacionalidade ou a educação. As pessoas diferem nos seus interesses e crenças.
Tal como uma árvore que cresce e se ramifica indefinidamente, também os Homens ao longo da história tomaram caminhos diferentes. Esse espectro e infinidade de ramificações são os interesses e paixões do Homem.
São estes mesmos interesses e paixões que respondem à elementar pergunta de "O que é importante" são os grandes atributos humanos. O que nos eleva um nível acima de todas as restantes formas de vida conhecidas é no fim, a simples capacidade de nos apaixonarmos.
O que é importante?
Da mesma maneira que um leão interrompe a sua melancólica e lassa rotina quando é chamado a interesse de resolver questões territoriais. Também os Homens se erguem nas quatro patas para defender os seus interesses e paixões, mas disputam algo muito mais espectacular que território.
Os grandes Homens vivem em constante luta contra si mesmos, porque as paixões do Homem são maiores que a própria Humanidade. Com regularidade ocasional a sociedade é brindada com o aparecimento de um verdadeiro Apaixonado. As nossas raízes biológicas prendem-nos à nossa família e desde cedo nos oferecem algo para amar. As nossas raízes sociais, amarram-nos aos companheiros de experiências e mais uma vez apaixonamo-nos pelos nossos maiores amigos e pelos mais sentidos rivais. Essas são as Paixões básicas do Homem. Um verdadeiro Apaixonado, desprende-se dessas raízes preciosas e convencionais para dedicar esse sentimento tão intenso e real que sentimos pela nossa família e amigos a um interesse, a uma área, a uma nova paixão.
Mas o que é importante?
Verdadeiros Apaixonados, reclamam o seu lugar no infinito temporal, pois as terras podem ter vários nomes, podem ter vários proprietários ao longo do tempo, mas um momento é único, tem apenas uma identidade, e da mesma maneira que que surge subitamente, é para sempre guardado, sem mínimo de modificação, na História.
Os Verdadeiros Apaixonados, cravaram o seu nome no infinito muro do tempo, pois influenciaram rumo da Humanidade com a sua obra. Porque o Sol, na sua imensidade ridícula não pode escolher os planetas que o rodeiam um dia que acorde mais aborrecido. Porque uma Zebra Africana, não pode num dia mais nostálgico voar até Trás-os-Montes para visitar um parente hípico de alguma quinta.
Porque com paixão, os seres Humanos moldam o mundo à sua maneira. Os Verdadeiros Apaixonados e seus nomes e feitos cartografam todo o nosso conhecimento histórico, pelo bem e pelo mal.
Mais perto do que é importante...
Sim, associado à sua capacidade de construir, o ser humano traz às costas o grande peso da responsabilidade de avaliar as suas paixões e os seus interesses. E é aí que, depois de muito evitada, se impõe a pergunta de "O que é importante?". Grandes guerras e catástrofes nasceram de grandes paixões. Sacrifícios foram feitos em prol da ciência, da religião, da política, de paixões. E é aqui que todo o esplendor da criação, da paixão, do poder do Homem é derramado pelo instinto mais básico de sobrevivência ou pelo vislumbre mais negro de um remorso esquecido.
Acima dos Verdadeiros Apaixonados, há aqueles cuja compreensão transparece a presença de Deus. Essa compreensão é o aceitar dos outros como nós mesmos. Apesar de nunca podermos provar a existência de um espaço psicológico semelhante ao nosso, uma alma nos outros, fomos educados a acreditar que esse espaço existe. Nós sabemos, mas compreendemos? Como podemos compreender o pensamento de outro ser quando desde nascença fomos só nós e o nosso pensamento, sozinhos, a viver na primeira pessoa?
Os verdadeiros arquitectos da história não são aqueles que apenas fizeram grandes feitos. O maior dos homens é aquele que compreende os outros como a ele mesmo e desta maneira a sua obra é dirigida para os outros da mesma maneira que a dirigiria a si.
A maior e mais nobre paixão dos Homens é a própria Humanidade. O que é importante é a empatia.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
PARTY!
VAMOS COMPRAR COISAS!
Vamos todos ser felizes!
Fazer uns raps sentimentais!
Defendermos as nossas raízes,
rugindo como animais!
Vamos comprar Coca Cola!
Vamos beber Super Bock!
E enquanto o do lado enrola,
ouvimos um pouco de Rock.
Vamos comprar mais cenas!
Compramos para toda a gente!
Venham mais, venham centenas!
E todos ficam contentes!
Vamos micar umas gajas!
Vamos buscar mais bebidas!
Quando estivermos fodidos,
as coisas são menos fodidas!
Vamos fazer grandes planos!
Ganhar o Euromilhões!
Acreditar que daqui a uns anos,
Não estamos atrás de balcões.
Vamos dormir na praia!
Ou num hotel de cinco estrelas!
Só importa o tamanho das saias,
O resto pinta-se em telas!
Vamos chorar um bocadinho,
Porque também está na moda.
Dar um pouco de carinho
P'ra poder dar uma foda!
Vamos todos ser felizes!
Fazer uns raps sentimentais!
Defendermos as nossas raízes,
rugindo como animais!
Vamos comprar Coca Cola!
Vamos beber Super Bock!
E enquanto o do lado enrola,
ouvimos um pouco de Rock.
Vamos comprar mais cenas!
Compramos para toda a gente!
Venham mais, venham centenas!
E todos ficam contentes!
Vamos micar umas gajas!
Vamos buscar mais bebidas!
Quando estivermos fodidos,
as coisas são menos fodidas!
Vamos fazer grandes planos!
Ganhar o Euromilhões!
Acreditar que daqui a uns anos,
Não estamos atrás de balcões.
Vamos dormir na praia!
Ou num hotel de cinco estrelas!
Só importa o tamanho das saias,
O resto pinta-se em telas!
Vamos chorar um bocadinho,
Porque também está na moda.
Dar um pouco de carinho
P'ra poder dar uma foda!
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Desviver.
Desviver, gastar vida, ruminar, sei lá, isto. Estou a morrer. Isto não me assusta, repugna-me. Cada dia que passa, falha uma pilha.
Sempre me perguntei porque as pessoas tinham medo de morrer, sempre me pareceu algo tão natural. Para que pensar nisso. A vida é que interessa. É a dor? É o mistério? São as saudades? É o infinito? Não, não é nada disto, é algo bem pior, algo tão profundo e poderoso que consegue despertar o humor mais melancólico, até pode fazer impressão na barriga.
São os remorsos. Remorsos de oportunidades não aproveitadas, promessas que ficaram por cumprir, intenções que não passaram disso. Não é a dúvida. É a certeza, a consolidação que todos os nossos remorsos serão permanentes. Que todas aquelas coisas que sempre pensamos alterar se vão manter assim para sempre. Não é a morte. É o passado. Engraçado não é? O medo da morte não residir nem num presente doloroso nem num futuro inexistente, mas sim num passado aparentemente sem relação.
Cada dia que passa estou a ficar igual a eles. A morrer portanto.
Tudo começou quando me comecei a interessar cada vez mais por assuntos fúteis, depois, a minha atenção a assuntos fúteis foi aumentando. E o espaço de tempo em que me concretizava foi diminuindo. Primeiro deixei de sentir, deixei de tirar prazer daquilo que é importante. Estava demasiado preso aos assuntos supérfluos, para poder tirar prazer doutra coisa. Depois, comecei a viver nos assuntos fúteis. Eles passaram a dominar não só o meu pensamento como a minha vida. Nesta fase qualquer tentativa de sentir passou a ser completamente impossível, passei a fingir, para as pessoas continuarem a dar-me valor. Falhei, elas notavam, não era elas que eu queria enganar. Envolvi-me, mais e mais, passei a tirar prazer de tudo o que me fizesse lembrar de sentir. Mas só naquele momento me convenci do que se estava a passar, no momento em que vi que não conseguia criar. Soube, toda a realidade me caiu em cima, estou a morrer. Se não consigo sentir, é natural que não consiga criar, o próximo passo é parar de pensar. Por completo. Isto, este texto, é o que me resta. É o que resta de mim, da minha vida. É provavelmente o meu último texto. Sei que da próxima vez que o ler não o vou entender. :) Não te preocupes, agora sim, és, e podes ser, feliz.
Sempre me perguntei porque as pessoas tinham medo de morrer, sempre me pareceu algo tão natural. Para que pensar nisso. A vida é que interessa. É a dor? É o mistério? São as saudades? É o infinito? Não, não é nada disto, é algo bem pior, algo tão profundo e poderoso que consegue despertar o humor mais melancólico, até pode fazer impressão na barriga.
São os remorsos. Remorsos de oportunidades não aproveitadas, promessas que ficaram por cumprir, intenções que não passaram disso. Não é a dúvida. É a certeza, a consolidação que todos os nossos remorsos serão permanentes. Que todas aquelas coisas que sempre pensamos alterar se vão manter assim para sempre. Não é a morte. É o passado. Engraçado não é? O medo da morte não residir nem num presente doloroso nem num futuro inexistente, mas sim num passado aparentemente sem relação.
Cada dia que passa estou a ficar igual a eles. A morrer portanto.
Tudo começou quando me comecei a interessar cada vez mais por assuntos fúteis, depois, a minha atenção a assuntos fúteis foi aumentando. E o espaço de tempo em que me concretizava foi diminuindo. Primeiro deixei de sentir, deixei de tirar prazer daquilo que é importante. Estava demasiado preso aos assuntos supérfluos, para poder tirar prazer doutra coisa. Depois, comecei a viver nos assuntos fúteis. Eles passaram a dominar não só o meu pensamento como a minha vida. Nesta fase qualquer tentativa de sentir passou a ser completamente impossível, passei a fingir, para as pessoas continuarem a dar-me valor. Falhei, elas notavam, não era elas que eu queria enganar. Envolvi-me, mais e mais, passei a tirar prazer de tudo o que me fizesse lembrar de sentir. Mas só naquele momento me convenci do que se estava a passar, no momento em que vi que não conseguia criar. Soube, toda a realidade me caiu em cima, estou a morrer. Se não consigo sentir, é natural que não consiga criar, o próximo passo é parar de pensar. Por completo. Isto, este texto, é o que me resta. É o que resta de mim, da minha vida. É provavelmente o meu último texto. Sei que da próxima vez que o ler não o vou entender. :) Não te preocupes, agora sim, és, e podes ser, feliz.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Vilão!
A humanidade necessita de um vilão, alguém que destrua o seu conforto alguém radical, alguém que lhes mostre como o a realidade pode ser muito pior do que é. O mundo precisa de guerra, de sangue, adrenalina, de algo para lutar, de música para ouvir, de telas para pintar de história para escrever, de sentimentos para sentir, de algo para os fazer sentir vivos!
É necessário um vilão que acarrete a culpa de todas as coisas de erradas que acontecem no Mundo. Não um político ou um terrorista. Alguém a sério. Intencional. Alguém que dê a cara alguém que não tenha causa, razão ou desculpa. Alguém consciente. Alguém que sorria sempre que algo de mau aconteça. Genuíno. Alguém com princípios e ideais completamente diferentes dos vistos até hoje. Alguém alegre! Alguém que as pessoas não possam compreender. Alguém em que as pessoas se revejam. Alguém pelo qual as pessoas se sintam culpabilizadas. Porém, alguém que nunca ninguém possa sentir pena.
UM VILÃO! Tomara eu ter a liberdade de ser vilão, de destruir, tomara muitos. Mas é tarde de mais para mim. A minha acção está muito condicionada por muito que possa ser imprevisível. A minha mente já está introduzida na base de dados ideais do sistema sociedade com padrões de conhecimento conhecidos e uma vida quase determinada. Não! Precisamos de alguém livre, livre desta ilusão em que vivemos. Sem ideais, sem nada, mas com tudo. Simplesmente diferente. Algo puro, livre deste lixo. Uma mente estaminal que como não age de acordo com o previsto, é considerado "mau"!
Conseguem imaginar, conceber mentalmente tão bela perfeição? Oh, como precisamos de um vilão. Como são mesquinhas as pessoas que secretamente desejam a sua chegada, desejam que faça o sangue escorrer, desejam que nasça uma razão para se erguerem nas quatro patas e lutar com garras e unhas contra aquilo que desejámos. E somos heróis! Os heróis são aqueles que ganham aos vilões. Oh se era bom sermos todos heróis! O que os heróis não sabem é que também são vilões. Olhem para o espelho, sorriam, e abram os olhos o máximo que puderem. E olhem fundo nos vossos olhos, confrontem a vossa sede de insegurança, confrontem o vilão que há em vós. E a seguir assumam a vossa expressão normal e contemplem as grades que se desenham em torno de vós que impedem a besta que existe lá dentro de sair sempre que se risca o papel.
sábado, 29 de janeiro de 2011
SOCIEDADE MIMADA!
NÃO, NÃO, NÃO! Não cabe na cabeça de ninguém, é impensável. Viver feliz com o que temos? Nunca, então e os pretos a morrer em África, então e a corrupção, então e a crise, então e as drogas, então e os terroristas e ó onze de setembro e essas merdas todas! NÃO, O MUNDO É UMA MERDA! Catástrofes, Guerras, Mortes.
Estou chateado! Estou mesmo! Porque não pensei que chegasse a este ponto! Reparei que as pessoas, odeiam o mundo! E pelos vistos é uma ideia generalizada! A palete de cores do seu mundo de certeza que apenas tem as cores negra e vermelha, e verde vá que simboliza inveja e o mundo também é feio por dentro.
Porquê? Porque é que as pessoas não se resignam à sua insignificante felicidade e vivem felizes? Porque não, Porque querem tudo, querem que toda a gente viva bem e toda a gente viva para sempre! Ai que bonito, e já agora nada de guerras nem catástrofes, que o sol nunca queime a pele e que as abelhas percam o ferrão que aleija!
Não! Querem tudo, são ténias de felicidade que nunca vão poder encontrar alguma devido à sua incapacidade de se satisfazer com pouco. Gananciosos. A ganância deve ser o maior defeito das pessoas. Mas de longe. Para o bom e para o mau. O ser humano não é capaz de ceder uma vida humana para salvar 100. Tudo tem um preço! TUDO! E o corpo em termos monetários não vale assim tanto por isso aquelas pessoas que dizem que "Ai eu morria por este" "ai eu matava por aquele" espero que tenham consciência que provavelmente não vai chegar para comprar a pessoa! Sentimentos pah! O ser humano vive de sentimentos e aquilo que mais custa dar é aquilo pelo qual nutrimos mais sentimentos. O que pode ser tudo, até mesmo um próprio sentimento. Como o orgulho por exemplo. E desde cedo temos de saber que o dinheiro não dá para tudo, e nem sempre vamos poder ter um melhor amigo, nem sempre vamos poder ter um noticiário menos mal, nem sempre podemos ter razão, nem sempre podemos ter uma família ao lado ou seguir o que gostamos! E é ao aprender a ceder que atingimos a felicidade!
Nunca nada vai ser perfeito. As pessoas que morrem, morrem. As pessoas que vivem só devem aproveitar o facto de estarem para serem felizes, pois no dia seguinte, podem ser elas a morrer. E as pessoas que já morreram não vão ter pena.
Estou chateado! Estou mesmo! Porque não pensei que chegasse a este ponto! Reparei que as pessoas, odeiam o mundo! E pelos vistos é uma ideia generalizada! A palete de cores do seu mundo de certeza que apenas tem as cores negra e vermelha, e verde vá que simboliza inveja e o mundo também é feio por dentro.
Porquê? Porque é que as pessoas não se resignam à sua insignificante felicidade e vivem felizes? Porque não, Porque querem tudo, querem que toda a gente viva bem e toda a gente viva para sempre! Ai que bonito, e já agora nada de guerras nem catástrofes, que o sol nunca queime a pele e que as abelhas percam o ferrão que aleija!
Não! Querem tudo, são ténias de felicidade que nunca vão poder encontrar alguma devido à sua incapacidade de se satisfazer com pouco. Gananciosos. A ganância deve ser o maior defeito das pessoas. Mas de longe. Para o bom e para o mau. O ser humano não é capaz de ceder uma vida humana para salvar 100. Tudo tem um preço! TUDO! E o corpo em termos monetários não vale assim tanto por isso aquelas pessoas que dizem que "Ai eu morria por este" "ai eu matava por aquele" espero que tenham consciência que provavelmente não vai chegar para comprar a pessoa! Sentimentos pah! O ser humano vive de sentimentos e aquilo que mais custa dar é aquilo pelo qual nutrimos mais sentimentos. O que pode ser tudo, até mesmo um próprio sentimento. Como o orgulho por exemplo. E desde cedo temos de saber que o dinheiro não dá para tudo, e nem sempre vamos poder ter um melhor amigo, nem sempre vamos poder ter um noticiário menos mal, nem sempre podemos ter razão, nem sempre podemos ter uma família ao lado ou seguir o que gostamos! E é ao aprender a ceder que atingimos a felicidade!
Nunca nada vai ser perfeito. As pessoas que morrem, morrem. As pessoas que vivem só devem aproveitar o facto de estarem para serem felizes, pois no dia seguinte, podem ser elas a morrer. E as pessoas que já morreram não vão ter pena.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Submissão à Loucura
Está tudo bem, está sempre tudo bem...
E então finge-se felicidade, porque está tudo bem... Então quando começam os berros da the great gig in the sky entende-se e cai-se na realidade, não, não está tudo bem, está tudo mal, está tudo errado, nada faz sentido, nada devia estar bem! No entanto tudo está bem e é daí que vem o problema, estamos bem com não estarmos bem...
Temos medo de carregar no play e ouvir a música mais uma vez, porque mais uma vez pode ser o suficiente para sucumbir à loucura que nos rodeia, e se amanhã não estiver lá, e se amanhã aquilo que nos prende à pouca ilusão confortante pela qual vivemos, pela qual está tudo bem não estiver lá. E se um dia não houver ninguém para nos atirar uma bóia para nos salvar do mar de insanidade em que mergulhamos diariamente sem nos apercebermos. E se um dia acordarmos sozinhos? E se um dia não tivermos ninguém para fazer domingo à tarde? E se o computador passar a ser o nosso melhor amigo? E se deixarmos de ouvir bem vindo a casa? E se nos fartarmos de toda a música do universo? E se um dia acordamos e desejamos não o ter feito? E se um dia acordamos com medo de não ter medo? E se um dia acordarmos e estiver tudo bem?
E então finge-se felicidade, porque está tudo bem... Então quando começam os berros da the great gig in the sky entende-se e cai-se na realidade, não, não está tudo bem, está tudo mal, está tudo errado, nada faz sentido, nada devia estar bem! No entanto tudo está bem e é daí que vem o problema, estamos bem com não estarmos bem...
Temos medo de carregar no play e ouvir a música mais uma vez, porque mais uma vez pode ser o suficiente para sucumbir à loucura que nos rodeia, e se amanhã não estiver lá, e se amanhã aquilo que nos prende à pouca ilusão confortante pela qual vivemos, pela qual está tudo bem não estiver lá. E se um dia não houver ninguém para nos atirar uma bóia para nos salvar do mar de insanidade em que mergulhamos diariamente sem nos apercebermos. E se um dia acordarmos sozinhos? E se um dia não tivermos ninguém para fazer domingo à tarde? E se o computador passar a ser o nosso melhor amigo? E se deixarmos de ouvir bem vindo a casa? E se nos fartarmos de toda a música do universo? E se um dia acordamos e desejamos não o ter feito? E se um dia acordamos com medo de não ter medo? E se um dia acordarmos e estiver tudo bem?
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