Ser poeta é triste.
É como ser pintor numa sociedade de cegos.
É como ser músico num mundo de surdos.
É como ser curioso num mundo de segredos.
É como ser professor numa jaula de macacos.
Ser Poeta é quando
O Kurt grita em pleno show
E o público aplaude, ignorante ao que se passou
É quando um quadro escondido entre a vulgaridade
É ignorado pela rotina da sociedade.
Ser poeta é estar sozinho
Fingindo não existir
Procurando refúgio no vinho
Tentando do mundo fugir.
Ser poeta é morrer todos os dias
Quando se engolem palavras
É como matar o messias
É como comer larvas...
E rasgar a carne literária
Que atinge o infinito
Espetar a caneta na secretária
Esmurrar os joelhos no granito!
É tentar domesticar feras
Ensina-las aos poucos e poucos
As que ouvem são raras
As outras consideram-te louco
É mergulhar
Num mar de insanidade
e respirar
a melancólica verdade.
E mesmo assim, engolir
Queimando os pulmões
Incapazes de fazer sentir
Incapazes de domar leões.
E RASGA-SE A PELE
E SENTE-SE O METAL FRIO PENETRAR A CARNE
ENQUANTO TODA A SABEDORIA DO MUNDO DESAPARECE NUMA CORRENTE VERMELHA ESCURA
E jaz no chão a verdade verdadeira
Escorrendo até até à porta do vizinho
Absorvido pela madeira.
Anunciando o fim daquele que não escolheu tal caminho.
Ser poeta é triste.