É algo que vou fazer para uma amiga, penso que isso chegue para que seja tanto ou mais importante que os outros textos do blogue, de qualquer maneira prefiro-o escrever aqui do que no Word.
Sem mais a dizer, dou início ao conto.
Como é escuro o mar à noite, é negro, que cor feia, porém o mar à noite é tal e qual ao mar de dia, ele vem e vai... De longe trás histórias de aventuras, recordações felizes ou catastróficas, o mar é muito sábio, ele sabe a história do mundo, ele é mais velho do que qualquer pessoa, e mesmo que as montanhas, ele sabe de tudo, porém ele mantém todas as suas lendas e histórias em segredo e limita-se a vir e ir, vir e ir, vir e ir... com o mar viaja uma pedra muito peculiar, como todas as pedras do mar, ela guarda um segredo, uma história, mas neste momento é como todas as outras pedras, não passa disso uma pedra que viaja pelos mares.
Hoje, como todos os outros dias, amanheceu, o céu está azul claro, e o tempo bastante agradável, tal como todos os dias uma nova onda trouxe bastantes novas rochas de todas as cores e feitios, trouxe-as para a praia, um sítio onde as pedras podem descansar das suas longas jornadas pelo infinito mar azul. Porém hoje é diferente de todos os outros dias... há felicidade no ar, há um cheiro característico, enquanto as crianças apanham pedrinhas e fazem castelos de areia, os mais velhos passeiam à beira mar, vendo ao longe os bonitos barcos à vela.
Uma jovem rapariga agacha-se, e reparando numa pedra peculiar, resolveu apanha-la e guarda-la, a pedra como que sorriu foi naquele lugar, foi naquele exacto lugar que há muitos anos atrás, quando os monstros dominavam os mares, o amor reinava em terra e os humanos viviam em harmonia com a natureza...
Naquele tempo, nesse lugar longínquo os navegadores cruzavam os mares em busca de tesouros que a mãe natureza lhes reservava, e o mar, que era ligeiramente mais novo, brincava com os humanos, dificultando-lhes o caminho, no fundo, ambos sabem que apenas tornava a sua jornada mais fantástica e divertida.
Paul era um navegador, como muitos outros sonhava com aventuras incríveis tornadas realidade, mas naquele dia ele viveu algo muito maior que algum sonho seu.
-Paul, acorda!
O jovem rapaz caiu da cadeira quando os berros do capitão da caravela lhe chegaram aos ouvidos.
-Que se passa sr? Terra à vista? Monstros? Tempestades? - Disse Paul levantando-se ainda meio desorientado.
-Calma! Necessito que fique de vigia esta noite, correm rumores que os assaltos piratas estão cada vez a expandir-se mais para sul, nunca se sabe se podemos estar sob risco.
-Mas capitão, porquê eu?
-Sem mais perguntas, favor dirigir-se ao convés do Navio, quando o sol nascer, tem a minha permissão para descansar.
-Entendido Sr.
Ensonado e um pouco contrariado, Paul dirigiu-se para o convés do navio, mal ele sabia que essa noite ia mudar a sua vida... O céu estava estrelado, a grande lua iluminava o mar negro até ao horizonte, e a estrela do Norte indicava-lhes o caminho.
O vento soprava levemente, estava o clima perfeito... estava calmo... calmo de mais... os olhos ficavam cada vez mais pesados...
Paul adormeceu num profundo sono, naquela calma noite de verão...
Foi então que subitamente algo o acorda, o sol ainda não havia nascido, o vento havia desaparecido completamente e o barco estava parado no mesmo sítio, sem a mínima ondulação, Paul pôs-se alerta e um arrepio de medo percorreu o seu corpo dos pés aos cabelos quando ouve alguma coisa. O mesmo som que o tinha acordado, se fosse um monstro, não havia escapatória, o barco estava parado, não havia vento nem ondulação, apenas a lua e as estrelas para testemunharem a morte certa.
Não, Paul tirou esses pensamentos sinistros da sua cabeça, ganhou coragem e dirigiu-se para o sítio de onde vinha o som.
Estava lá, naquele momento Paul viu o que jamais algum humano deveria ver, o ser mais belo deste mundo, o sonho de qualquer navegador, uma lenda. Sim uma lenda, foi o que Paul viu: Uma sereia.
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